Jornalismo colaborativo: cidadão repórter
Com o aumento do número de usuários da internet e conseqüentemente das redes sociais, além de tantas outras mídias digitais disponíveis, pessoas comuns se tornaram colaboradores dos jornalistas profissionais. O Jornalismo Colaborativo como é conhecido, torna o cidadão principal informante de acontecimentos que normalmente tem um enfoque hiperlocal.
O leitor comum pode, por exemplo, enviar a foto de um acidente que a imprensa, em meio a tantos acontecimentos, não conseguiu cobrir. O Twitter é uma rede social que facilitou a procura de fontes para matérias jornalísticas. Podemos citar o perfil do ajude um repórter, que anuncia o tipo de fonte que o jornalista precisa. O twitteiro que conhecer alguém que se encaixe no perfil pode indicá-lo. O site do jornal italiano “Allemanda” também é um exemplo de colaboração dos cidadãos. Ele permite que seus leitores criem blogs dentro do próprio espaço da web.
Na esfera digital, o jornalista pode atuar de modo a colher o máximo de informações junto ao público, que se apresenta mais atuante e crítico. Em um emaranhado de dados, é importante que o comunicador estabeleça um canal de comunicação perene com suas “fontes”, oferecendo a elas meios de troca de informação. Nesse ambiente, em que quase tudo vira notícia, o público assume o papel de emissor de conteúdo. Tal fenômeno é chamado de Jornalismo Colaborativo.
O jornalista do Portal Uai, Rafael Passos, acredita que se faz necessária a filtragem daquilo que é recebido, bem como a checagem do mesmo. “O jornalista se torna o coordenador dessa teia, por assim dizer, de comunicadores”, ressalta.
Para Rafael, o Jornalismo Colaborativo é importante, visto que o repórter passa a valorizar a audiência, deixando de tratá-la como um mero agente passivo, que absorve todo tipo de informação. “É fundamental dar voz a quem tem algo a comunicar”, disse. Na avaliação dele, o jornalismo colaborativo não se trata de um “novo” jornalismo, mas, sim, de uma etapa do mesmo, que precisa se adequar ao avanço das tecnologias e das ferramentas de informação.
A viabilidade do Jornalismo Colaborativo se dá à medida que a mídia se abre, de fato, para a participação da audiência. Quase todos os meios de comunicação criaram canais ditos colaborativos. No entanto, para Rafael Passos, o processo de elaboração de conteúdo com a participação do internauta ainda é incipiente, carecendo de ferramenta que ofereçam a ela meios efetivos de colaboração. “Alguns portais, por exemplo, ditam regras e normas para publicação de conteúdo “extra-redação”, limitando o colaboração”, enfatizou.
O editor da revista Digestivo Cultural, Júlio Daio Borges, já mediou uma mesa de debates sobre as polemicas de geração de conteúdo na internet, ele ressaltou que essa colaboração pode permitir que o jornalismo se renove, trazendo desdobramentos que uma redação, sozinha, não conseguiria nem imaginar. “A wikipedia, por exemplo, quem imaginaria que, na internet, se tornaria a referencia que se tornou? Vamos ter muitas surpresas nos próximos anos, em termos de crowdsourcing “terceirizar para a multidão”.
